Páginas

26/09/2010

.


Feliz todos os dias para ti. Feliz todas as horas. Você é um cara tão especial para mim. Porque você pintou no momento em que eu pensava que havia perdido o interesse pela paixão. E mesmo a tua recusa e mesmo o teu estranhamento inicial, apesar dele, eu ainda te adoro da mesma forma. De um jeito tão particular e tão inteiro que talvez você não compreenda jamais, que talvez eu não seja capaz de me fazer entender nunca. Eu abriria mão de muitos vícios por você. Um amor não é só o amor no peito. Um amor é também essa falha na comunicação. Essas imperfeições no querer de um e no compreender do outro. Eu te quero tão bem. Eu só te quero bem, aliás. Eu vou curtir o meu show. Boa noite, boa todas as noites sempre. De coração. Onde eu estiver de noite, eu vou lembrar você.’
[Egídio La Pasta Jr.]

.

Mal acordei hoje porque mal dormi. Pisco o olho e vejo seu rosto. Fecho os olhos e seu olhar assustado me olhando, ontem à noite, não me sai da cabeça. E se você quer saber, tá foda mesmo. Tá foda ter que fingir que eu não to nem aí se te vejo com outra. Tá foda esperar por uma ligação que nunca acontece. Tá foda não poder te ligar porque meu orgulho idiota não deixa. Tá foda saber que você não me liga porque seu orgulho muito mais idiota que o meu não deixa. Tá foda agüentar a sua covardia e muito mais a minha que só conseguiu juntar algumas palavras toscas e escrever um texto. Tá foda fingir pra mim mesma que não tá foda toda vez que eu te vejo. Tá foda até quando eu não te vejo.
Eu não sei quantos anos a gente finge que tem, mas a gente não é adulto o suficiente pra conversar como deveria. Eu não sei o que essa merda desse orgulho idiota faz na vida da gente que não deixa a gente ser a gente e simplesmente viver. Que não deixa a gente se entender. Que não deixa a gente se querer mesmo sem entender. Eu não sei e se soubesse também não saberia explicar. O que eu sei é que tá foda te ver e não poder te querer. Ainda ter seu telefone e não poder te ligar. O que eu sei é que por meia dúzia de atitudes idiotas, a gente nunca mais se falou. Meia dúzia e duas pessoas idiotas.
Isso não combina comigo. Fingir que nada aconteceu, fingir que não te conheço, fingir que não te vejo e fingir que não te quero. Pro inferno com esse negócio. Já devo ter te contado que sou péssima atriz. Finjo pra mim mesma e nem eu acredito. E não acredito que você não me quer mais. Não acredito que você me viu ontem e não sentiu um friozinho na barriga. Não acredito que você só me quis por causa da minha barriga. Não acredito que a gente daria certo por mais que uma noite de festa. Não acredito na gente, na verdade. E, mesmo assim, não acredito que seja o fim.
Na verdade, não sei mais em que acredito. Eu, que já acreditei em você, não acredito em mim mesma escrevendo esse texto. Eu, agora, nada sei, só sinto. E o que eu sinto é que eu engasgo com a respiração quando você passa do meu lado. Sinto que o homem forte que você é fica sem saber o que fazer quando me vê. Sinto muito, mas a gente ainda sente. E acho que se não sentisse, a gente deixaria a porra do orgulho de lado. Sinceramente, você nunca foi meu homem-objeto como você pensava. E, no fundo, eu sei que não fui só um corpo que te fez companhia nas festas onde você nunca precisou de mais nada além da sua vodca com energético. Você sempre foi uma boa companhia e um papo inteligente. Eu sempre fui uma piada nos momentos trágicos e um carinho no seu cabelo. E, por mais que eu nunca tivesse acreditado num final feliz pra gente, eu nunca imaginei que o desfecho fosse esse. Nunca imaginei que nosso orgulho fosse separar a gente.
[Brena Braz]

Que seja doce...


Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder.

[Caio Fernando Abreu]

25/09/2010

.


[...] mas eu estou aqui parada, bêbada, pateta e rídicula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado comigo: um dia eu encontro.

[Caio Fernando Abreu]

19/09/2010

.

Eu não consigo achar normal, meninas do seu lado. Eu sei que não merecem mais que um cinema com meu melhor namorado. Procuro evitar comparações entre flores e declarações. Eu tento te esquecer. A minha vida continua, mas é certo que eu seria sempre sua. Quem pode me entender?
Depois de você, os outros são os outros e só.
[Leoni - Os Outros]

12/09/2010

.


Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida.


[Fabricio Carpinejar]

11/09/2010

.


Cansei de quem gosta como se gostar fosse mais uma ferramenta de marketing. Gostar aos poucos, gostar analisando, gostar duas vezes por semana, gostar até as duas e dezoito. Cansei de gente que gosta como pensa que é certo gostar. Gostar é essa besta desenfreada mesmo. E não tem pensar. E arrepia o corpo inteiro, mas você não sabe se é defesa para recuar ou atacar. Eu gosto de você porque gostar não faz sentido.



[Tati Bernardi]





gosto. gosto. gosto. e fim. dá pra entender né? espero que sim.
porque se naõ der, eu coloco uma faixa na entrada
do seu prédio. : ))

10/09/2010

.




Eu sei que eu fico em você, eu sei que marco você. Marco fundo. Eu sei que daqui a um tempo, quando você estiver rodando na roda, vai lembrar que, uma noite, sentou ao lado de uma mina louca que te disse coisas, que te falou no sexo, na solidão, na morte. [...]



[Caio Fernando Abreu]