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31/08/2010

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Tinha sido apenas um sorriso, e nada mais. As coisas não iam se ajeitar por causa disso. Aliás, nada ia se ajeitar por causa disso. Só um sorriso. Um sorriso minúsculo. Uma folhinha em um bosque, balançando com o movimento de um pássaro que alça vôo.


[O Caçador de Pipas]

30/08/2010



Fantasia todo dia uma cena de cinema
E o problema é que já não interessa o poema.


(Vera Loca)

29/08/2010

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Eu sei, eu sei. Não adianta nada.
Nada que faça, diga, fale, grite, esperneie, irá adiantar; não vai te fazer mudar ou te fazer enxergar a sua verdadeira importância para mim. Ou fazer mudar seu olhar para mim.

Eu sempre soube que era pra ser uma diversão, um passatempo, um contrato onde ninguém deveria de se apegar e nada além de raros encontros casuais deveriam de acontecer, mas eu não sei explicar como aconteceu ou quando aconteceu, que eu acabei rasgando a minha parte e joguei tudo pro ar, na sorte. Sempre soube e ainda sei, que sou uma bonequinha que você tem na estante, aquela sua preferida para brincadeiras rápidas, a dos olhos verdes mais brilhantes e a que tem o sorriso mais fácil e bonito, aquela que você faz, acontece e esquece, porque sabe que ela nunca vai esquecer, que sempre vai procurar, que nunca vai reclamar, aquela que não te liga, não te incomoda, não se manifesta, por um medo que nem ela mesmo sabe explicar qual é; aquela que sabe que o seu amor - ou o que você chama de amor, o seu tal interesse - é fracionado entre ela e mais algumas outras bonecas que sua estante exibe; bonecas das mais diferentes faces, jeitos e comportamentos. Das suas bonecas, eu conheço uma: a apaixonada grudenta. A que te enche de recados no orkut, que te liga todos os dias e aquela que realmente tem a sua preocupação. Aquela que está a um passo mais próximo de se tornar a sua bonequinha exclusiva e a única bonequinha com a qual você ainda vai querer brincar. Mas ainda assim, tendo a sua boneca única, você em dias vai olhar pra sua estante e vai notar aquela boneca empoeirada, com a cabeça baixa e corpo mole. Aquela que antes tinha aqueles olhos brilhantes e o sorriso que você tanto gostava, a que te esperava fielmente sentada ali no mesmo lugar, a que nunca te esquecia e sempre pedia por um pouco mais da sua atenção. A boneca que você sempre gostou mais que as outras, mas sempre escondeu esse fato; a que tinha de você a maior parte do carinho, mas você não demostrava; a boneca boba, maleável, permissível, que não sabia te dizer um não.

Você vai ver aquela boneca e sentir saudade das brincadeiras dela e do tempo gostoso que ela te dedicava. E vai querer voltar atrás, mas não vai poder, porque ela está empoeirada e fará mal pra sua rinite alérgica. Porque faz tanto tempo que ela está parada que deve ter sido desarticulada. Não vai poder porque ela não tem mais aquele brilho no olhar e aquele maço de dentes a mostra.

Porque vai perceber que ela se tornou apenas um corpo e que a alma que havia nela foi pra outro lugar, foi viver quem sabe, em um algum conto de fadas, com algum Ken da vida, cansada de viver no mundo de aventuras do Max Steel.

28/08/2010



- Você não entende, nunca vai entender!
- Claro que eu entendo! Eu não sou nenhuma criança para não saber. E você sabe que eu também te amo. Para de fazer drama!
- Não é drama. É que naõ é somente amor, é diferente...
- Como? O que você quer dizer com "não é somente amor"?
- É. Tem uma mágica por trás, uma semi angústia, gostosinha de sentir, um desespero, uma felicidade, sei lá, é confuso apenas sentir, explicar é impossível! É algo a ver com a alegria que me dá ao ver o brilho dos seus olhos quando você sorri; com a maneira que você me encaixa nos seus braços; o jeito como brinca com meu cabelo e como seus dedos ficam presos nele; tem a ver com as brincadeirinhas que faz para me ver emburrada, que tanto te fazem rir; a maneira consegue me convencer com apenas um olhar, seus artifícios para me fazer torcer pro time que você torce, ouvir as músicas que você ouve, ir aonde você vai; o jeito desajeitado que você tenta me consolar quando fico triste ou quando fica sem reação ao ver as minhas lágrimas e fica chateado por não conseguir ajudar. E principalmente com o carinho que você me toca, com que me beija... como me faz sentir mais e melhor a cada dia, cada minuto , cada momento que a sua presença é palpável . Ou quando não é presente também... o fato de saber que você existe e me faz bem, basta quando está longe... e me faz sentir saudade dos seus olhos, do seu sorriso, do seu jeitinho infanto-bobo-semi-homem-maduro que me fascina. Mas sentir saudade principalmente do seu nariz... ah, o seu nariz. Eu já disse que antes de me apaixonei por você, eu me apaixonei pelo seu nariz? Verdade!
- Meu nariz? Tá doida?
- Não. Seu nariz é lindo!
- É tá bem doida mesmo! Mas que história é essa de mágica, de saudade, como assim? Dá pra ir mais devagar, mais calma? Se você for exlicando por partes e afobação, quem sabe eu entenda o que você quer dizer.
- Eu disse que você não iria entender... Mas deixa para lá! Seu jeito meio desentendido me encanta e prefiro que fique assim. E ah, eu te amo! Isso você entende né?

11/07/2010

Promessas.


Eu prometi que jamais tomaria um porre de caipirinha feita com cachaça barata. Eu prometi que não escutaria músicas dor-de-cotovelo mais.
Prometi ser menos vaidoso, menos ancioso, menos ingênuo, menos ignorante nas artes da malícia humana.
Arrumar a cama, ler livros, prometi, não correr mais riscos.
Pois bem, quero neste momento fazer a única promessa que posso.
Chega de promessas instavéis! Não sou político, pastor de igreja ou produtos cultural!
Não ofereço parato feito, cantinho no céu, nem pauta na brodway.
[Charlie Rayné]

22/06/2010


'E eu gostava dele, merda, sempre acabava gostando das malditas pessoas e todas as suas loucuras.'

10/06/2010


"Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém."

[Caio F. Abreu]

03/06/2010

dário de uma louca parte I


Não faço idéia do por que estou aqui. Tenho certeza absoluta que não tem por quê. Dizem que estou aqui porque fantasio demais, que crio histórias, momentos que jamais existiram e que foi por culpa da última que estou aqui agora.
Concordo quando dizem que sou fantasiosa demais, imaginativa demais, mas é mentira que a última também era inverdade. Eu tenho como provar que não era, não é, fruto da minha imaginação. Você existe, eu sei. Eu tirei várias fotos onde estou abraçada a você e elas, estão todas grudadas no mural que está na parede do meu quarto. Eu passeei com você por todos os cantos dessa cidade, de mãos dadas. Eu cantei, enquanto você tocava violão na casa daquele seu amigo, que deveria estar aqui também, por que diz que não me conhece e quando eu pergunto por você, ele diz que você não existe e que eu sou louca. Mas o louco é ele, só pode. Como você não existe se é a coisa mais viva que já me aconteceu nesses 19 anos de vida. Você é real sim, de tanto que eu lembro como a sua mão foi violenta ao largar a minha naquele dia de sol.
Pergunto pro Tom, o meu médico, se você não veio me visitar, se nem sequer passou aqui pela frente, olhando para dentro, me procurando ou se não largou nenhum bilhetinho pra mim na recepção. Tom me diz que não existe nada. Nem bilhete, nem passeio, nem fotos, muito menos você. Eu já tô ficando com raiva dele; ele também não acredita em mim quando eu digo que foi com você que eu vivi os momentos mais fantásticos da minha existência; eu digo pra ele que o seu abraço era o mais reconfortante de todos. Ele me diz que é normal depois do trauma que eu passei criar algo ou alguém pra se sentir segura de todas as angústias e conforme eu for melhorando, eu vou esquecendo você. Mas se eu tivesse criado você como dizem, você não me deixaria, você faria com que eu ficasse segura; mas então, por que dizem que eu te criei se você me trocou? Você não é criado, você é carne e osso. Tô achando que até o Tom é louco; louco cego e malvado.
Eu pergunto pra ele, como alguém vai ser imaginário, se sai em fotos e aponto para o meu mural, em uma foto em que você sorri enquanto eu puxo os seus cachos. Ele diz que não tem foto nenhuma no quarto e finca uma seringa na veia do meu braço levantado. Não dá um minuto e eu apago de novo. Odeio quando eles me dopam; fazem isso pra meu não esperar você. Mas não adianta nada. Enquanto durmo, eu lembro, em sonho, do dia que você me abandonou e começo a gritar desesperada.
A Fátima, enfermeira daqui, vem correndo ver o que está acontecendo. Mas faz isso porque é obrigada, porque se fosse por ela, que eu morresse de tanto berrar. Eu não entendo porque ela é tão rancorosa, tão mal humorada. Um dia eu perguntei isso pra ela; só faltou ela pular no meu pescoço, vontade não lhe faltava, mas ela só não fez isso por uma tal de ética médica, sei lá, o que é isso. Sabe o que eu acho? Acho não, tenho certeza. Acho que ela é mal comida e por isso desconta isso nos pacientes daqui.
Ela é a única aqui que me chama de louca. Mas acho que a louca é ela. Ninguém apaixonado é louco, só não tem razão nos atos e isso não significa ser loucura. Olha eu, por exemplo, não sou louca, mas tô aqui por que te amo. Eu acho que a Fátima nunca se apaixonou, nunca soube o que é se entregar de verdade pra alguém, por isso ela é assim. Mas enfim, isso não é nada demais não. Eu só tenho pena dela por isso. Verdade.
E escuta, mesmo que os outros sejam cegos e não te vejam, eu sei que você existe. E mesmo tendo me trocado, eu te amo, E ainda tô esperando você vir me visitar. Não aguento mais receber só a visita dos meus pais. Eles são tão chatos quando vem aqui. Minha mãe não para de chorar e meu pai me pergunta onde foi que ele errou comigo. Vem. Tá!?
Daí quando você vier, eu posso provar pra todo mundo que você é de carne e osso. E jogar na cara da Fátima que eu não sou louca, e que ela é de verdade mal comida. E fazer o Tom parar de espetar aquela agulha no meu braço. E mostrar pra todo mundo que eu sou consciente. E que os loucos são eles.
Vem me visitar, tá!?