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24/04/2010

Quinze pras Nove;

Desisti. E isso é a coisa mais triste que tenho a dizer. A coisa mais triste que já me aconteceu. Eu simplesmente desisti.
Não brigo mais com a vida, não quero entender nada. Eu espero chegar as nove da noite pra tomar meu Rivotril. E desaparecer.
Vou nos lugares, vejo a opinião de todo mundo, coisas que acho deprê, outras que quero somar, mas as deixo lá. Deixo tudo lá. Não mexo em nada. Não quero. Odeio as frases em inglês mas o tempo todo penso “I don’t care”. Caguei. Foda-se. Eu espero chegar as nove da noite pra tomar meu Rivotril e desaparecer.
Me nego a brigar. Pra quê? Passei uma vida sendo a irritadinha, a que queria tudo do seu jeito. Amor só é amor se for assim. Sotaque tem que ser assim. Comer tem que ser assim. Dirigir, trabalhar, dormir, respirar. E eu seguia brigando. Querendo o mundo do meu jeito. Na minha hora. Querendo consertar a fome do mundo e o restaurante brega. Algo entre uma santa e uma pilantra. Desde que no controle e irritada. Agora, não quero mais nada. De verdade.
Ah, o roteiro não ficou bom? Então não me pague. Não vejo as mulheres mais bonitas em volta e corro pra malhar. Não quero malhar. Não vejo o que é feio e o que é bonito. É tudo a mesma merda. Não ligo se a faca tirar uma lasca do meu dedo na hora de cortar a maça. Não ligo pra dor. Pro sangue. Pro desfecho da novela. Se o trânsito parou, não buzino. Se o brinco foi pelo ralo, foda-se. Deixa assim. A vida é assim. Não brigo mais. Eu só espero chegar as nove da noite pra tomar meu Rivotril e desaparecer.
Não quero arrumar, tentar, me vingar, não quero segunda chance, não quero ganhar, não quero vencer, não quero a última palavra, a explicação, a mudança, a luta, o jeito. Eu quero, de verdade, do fundo do meu coração, que chegue logo as nove da noite. Hora do Rivotril. O remédio que me chapa. Eu quero chapar. Eu quero não sentir. Quero ver a vida em volta, sem sentir nada. Quero ter uma emoção paralítica. Só rir de leve e superficialmente. Do que tiver muita graça. E talvez escorrer uma lágrima para o que for insuportável. Mas tudo meio que por osmose. Nada pessoal. Algo tipo fantoche, alguém que enfie a mão por dentro de mim, vez ou outra, e me cause um movimento qualquer. Quero não sentir mais porra nenhuma. Só não sou uma suicida em potencial porque ser fria me causa alguma curiosidade. O mundo me viu descabelar, agora vai me ver dormir e cagar pra ele.
Eu quis tanto ser feliz. Tanto. Chegava a ser arrogante. O trator da felicidade. Atropelei o mundo e eu mesma. Tanta coisa dentro do peito. Tanta vida. Tanta coisa que só afugenta a tudo e a todos. Ninguém dá conta do saco sem fundo de quem devora o mundo e ainda assim não basta. Ninguém dá conta e...quer saber? Nem eu. Chega.
Não quero mais ser feliz. Nem triste. Nem nada. Eu quis muito mandar na vida. Agora, nem chego a ser mandada por ela. Eu simplesmente me recuso a repassar a história, seja ela qual for, pela milésima vez. Deixa a vida ser como é. Desde que eu continue dormindo.
Eu só espero chegar as nove da noite pra tomar meu Rivotril e desaparecer. Ser invisível, meu grande pavor, ganhou finalmente uma grande desimportância. Quase um alivio. I don’t care.

Tati Bernardi

21/04/2010

O mundo é enorme sem toda a culpa que eu carrego por não ser a menininha leve e sem preconceitos que curte ver o desenho da Lua no mar e não se abala com tanto amor e nem com o medo e o cansaço que viver causa. Eu sei que sou pesada, triste, dramática, neurótica, louca, insatisfeita, mimada, carente. Mas você se esqueceu da minha maior qualidade: eu sou só.
[...]
Eu quase morri de tanto que queria viver. E eu tô quase acabando com o seu amor por mim, de tanto que eu quero que você me ame. Percebe? Louca. Louca e só, porque ninguém vai agüentar isso.
Eu sempre estou só quando sou tomada por um susto longo e paralisador que dá vontade de me concentrar apenas em mim, e não ver nada e nem ninguém, por isso quis chorar só e escondida atrás da porta, como um rato que todo mundo tem nojo, que causa doenças, que tem um longo rabo deixando tudo entreaberto para trás, mas que no fundo só quer um pouco de queijo, como qualquer criança bonitinha. Carregar nossa alma, com tudo o que ela tem de bom, de mal e de incompreensível, é uma tarefa solitária.
Eu sempre fui só querendo ter uma família grande, café da manhã, Natal, cachorro, e eu continuo só quando te vejo como minha família, mas você me deixa sozinha com duas ou três opções de suco para uma ou duas opções de pão. O mundo é cheio de opções sem você, mas todas elas me cheiram azedas e murchas demais.
Eu continuo só quando quero escrever uma vida com você, mas você detesta meus caminhos anotados e minhas regras. E eu detesto seu sono e sua ausência. Eu detesto seu riso alto e forçado pisoteando o meu mundo de sombras, eu detesto você saindo pela porta e as paredes se fechando, se fechando, e eu sem poder berrar para, pelo amor de Deus, você me resgatar, e me colocar no colo, e me dizer que você me entende e sofre também.
Eu sou só porque enquanto eu pensava tudo isso, você impunha aos quatro ventos, querendo parecer muito forte e macho para seu grupinho muito forte e macho, que você poderia simplesmente abaixar meu som ou mudar de canal, como um programa chato qualquer que passa na sua tv.
Eu hoje fui ao banheiro duzentas vezes para ficar longe do meu celular e do meu e-mail, ficar longe de todas as possibilidades da sua existência. Me olhei no espelho bem profundamente para enxergar minhas raízes e ganhar força, chorei algumas vezes, fiquei sentada no chão do banheiro, para ver se meu corpo esquentava um pouco ou porque estava mesmo me sentindo um lixo. O ar-condicionado hoje está insuportável, mas eu não acho que mude alguma coisa desligá-lo.
Estar sozinha não muda nada, conheço bem esse estado e, de verdade, sei lidar até melhor com ele. O que me entristece, é ter visto em você o fim de uma história contada sempre com a mesma intensidade individual.
Eu tinha visto na sua solidão uma excelente amiga para a minha solidão. Achei que elas pudessem sofrer juntas, enquanto a gente se divertia.

(Tati Bernardi)

11/04/2010

antídoto.

você me provoca. me irrita. me cutuca com a ponta do pedaço de pau.
com o galho quebrado. você me perturba. joga água e sai correndo.
atira a pedra e me acerta de raspão. me espia no escuro e mostra a língua.
me xinga. me atiça. invade o meu sossego. meu refúgio.
pisa no meu ninho com os sapatos sujos. na minha toca.
sem saber o meu tamanho, até onde vai meu bote, você me provoca.
achando que não há perigo.
sem conhecer a força da minha mordida. o tamanho dos caninos.
você me provoca, sem esperar a picada. sem saber que ainda não inventaram antídoto pro meu tipo de veneno.

(Caio F. Abreu)

25/03/2010

faz por mim?

me leva a novos lugares? faz comigo o quê ninguém nunca fez? me faz sentir bem? brinca comigo no parquinho? me empurra no balanço? come algodão doce comigo? me abraça forte quando estivermos no alto da roda gigante? segura minha mão quando eu ficar com medo? me explica as coisas que eu não entendo sobre futebol? não deixa eu chorar por tristeza? promete que vai deixar eu ficar sozinha quando eu precisar? que não vai rir quando eu ficar com medo do filme de terror? que mentir que eu não estou gorda? que vai rir das minhas piadas sem graça? que vai ser criança junto comigo? que vai deixar eu cantar as minhas músicas dor-de-cotovelo pela casa? que vai me beijar quando eu menos esperar? que faz me aquecer no seu abraço quando eu tiver frio? que vai me levar a todos os lugares? que não vai se envergonhar de andar de mãos dadas comigo? que vai rir quando eu ficar emburrada com você? promete que um dia busca uma estrela pra mim? me ensina o que eu não sei? me defende quando sua mãe brigar comigo? deita sob o céu e fica olhando as estrelas? promete que faz carinho no cabelo até eu dormir? que vai me lembrar todos os dias o quanto gosta de mim?

[para Yuri Dalonso. é. um dia nós casaremos sim, amor. ]

01/01/2010

again.

mais um ano. e eu volto com as promessas. e volto com os desejos. e volto com todo o resto. mas desta vez vou ver se registrando eu consigo cumprir o máximo deles possível. até porque todos é meio improvável, mas vai saber.

um regime urgente. entrar na academia. arrumar um trabalho. passar no vestibular. tomar vergonha na cara. aprender a dizer não. largar a bebida. não falar tanto palavrão. me comportar. deixar de fumar. rir mais. chorar menos. cantar mais. me esforçar mais. ser mais carismática. mais simpática. menos idiota. não me deixar levar pelas palavras do primeiro pateta que aparecer na frente. esquecer tudo que passou. arrumar um namorado. DECENTE. começar as aulas de qualquer instrumento. comprar um contrabaixo. ver um show do Jay Vaquer. ir a mais festas. arrumar novos amigos. deixar de ser irônica. conseguir ser mais cínica ás vezes. viajar mais. brincar mais. falar mais sério. crescer um pouco mais. manter amizades. procurar saber mais. admitir meus erros. procurar ficar mais sozinha. não me isolar tanto. ser menos egocêntrica. ser mais egoísta. deixar a que existe em mim criança me dominar. fazer mais fiascos. gritar mais. saber calar. saber falar. que eu saiba como ter sucesso. que eu seja reconhecida. que meu talento valha a pena. que meu sorriso naõ seja falso. que eu beije muito. me divirta muito. que os 'nick nick' dominem a minha vida...
entre tantas outras coisas que não lembro mas que quero fazer. quero deixar de fazer. essas são as mais provavéis. [tirando o show do Jay Vaquer ali :s]

é tudo que eu quero. e desejo. e que espero tornar realidade.


era isso... eu acho. :x

25/12/2009

sentimentos apaixonantes

Textinho antigo, mas tá valendo. Foi escrito no dia dos namorados... faz tempo...



Existem coisas que realmente não se explicam, apenas se sentem. O amor de mãe, a dor de perder um amigo, a emoção de passar no vestibular. As coisas boas e ruins da vida. Mas a mais coimplexa de todas é se apaixonar.


Você fica parecendo um babaca, ou melhor, se torna um babaca. Fica pensativo o dia inteiro, esperando o anoitecer para sair correndo do trabalho e encontrar a pessoa amada. Perde todas as palavras e esquece todos os noticiários, por pra você todas as palavras se encontram na pessoa que está com seu coração e todas as notícias importantes são sobre ela; nada de furacão no Japão e terremoto na Índia, essencial é saber se ela comprou aquele vestido que tanto queria, se ele achou aquela camisa rara do Grêmio.


Sem contar que parece que você engoliu três duzias de borboletas, devido a movimentação que fica em seu estômago. É desesperador. A vontade de estar junto, apertando, beijando, mordendo, é uma coisa inexplicável., parecendo que vai nunca não passar.Incomoda. Te enche de nervoso.


Desespera. Mas é bom. Como é; saber que o outro também sente, que como você, ele mal consegue esperar a hora do encontro e fica espiando no relógio a cada cinco minutos e reclamando da demora do tempo correr. A vontade que ele tem de olhar seus olhos com pureza, saber demonstrar o amor, que os une, que os sela. Que os tornam apenas um...