Ontem, tocou Oasis no bar. O que é estranho, porque eles nunca tocam esse tipo de música. Eu, pelo menos, nunca a tinha ouvido lá antes. E foi um feito um soco na boca do estômago que dói ainda mais por não ser real. Por um momento... eu não soube dar o comando para meus pés me levarem a outro lugar e eu perdi a oportunidade não relembrar. Então, automaticamente, feito um incêndio que se alastra em poucos minutos, a nossa história veio diante dos meus olhos. Nossa curta história, que terminou... terminou.
Desde aquele dia, tenho buscado sobreviver, procurando um bom motivo pra não sucumbir a maldita insegurança que ruge nos meus ouvidos, me aponta o dedo em riste e ri, me mostrando a minha incapacidade de te manter interessado. Podia ser normal para qualquer um, mas para mim, é sempre um grande problema. Ter de acordar todos os dias com a ideia fixa de que eu preciso fazer toda e qualquer coisa, só pra deixar minha mente ocupada, evitando assim, pensar. Ultimamente, eu evito pensar. Assim como deixei de fazer um tanto de outras coisas.
E agora, enquanto Noel canta, que talvez a garota seja a salvadora e quem vai protege-lo de tudo no final, lembro de quantas vezes eu pensei que essa poderia ser um pouco a nossa música. E eu nunca a cantei desafinada, pra você rir da minha cara como sempre fez quando eu era engraçada o bastante ao ponto da estupidez. Você sempre entendeu o meu senso de humor estranho e o meu jeito de amar esquisito. Um jeito que, quando é procurado, foge. Você nunca me cobrou o que, quem ou o porquê.
Hoje eu vejo que ninguém errou. Não, de todas as coisas que podem ter ocasionado esse fim, nenhuma delas foi um erro. Uma inaptidão talvez ou falta de adaptação. O fato é que nunca nos deixamos as pontas e acusamos um ao outro. Não nos odiamos e as coisas não mudaram porque nossas ruas seguiram outros eixos. Sigo não sabendo completar os textos que começo e tratam de você. Segue fazendo piadas e esforçando-se pelo ideal de vida perfeita. Somos uma perfeita sinfonia de instrumentos desajustados em um concerto em que se exige a exaustão. Em que é preciso saber ser um para ter sucesso e, infelizmente, nós nunca aprendemos essa lição.
29/01/2015
11/01/2015
Essa preguiça que me dá após o almoço é a mesma que tenho quando termino um romance. Não quero nada depois, não quero chegar perto de ter o trabalho de gostar ou conquistar alguém. Quero apenas cochilar, digerir bem o que aconteceu e me dar um tempo. Um tempo para que eu posso espreguiçar com calma, sem a pressa de uma nova paixão.
— Bruno Fontes
08/01/2015
Contra as Ações
Gostaria de pedir, no mínimo, um minuto de reconhecimento as pessoas pessimistas desse mundo.
Aqueles que preferem surpreender-se com o resultado positivo e não se frustram quando todos os planos caem por terra e não existe mais lugar para onde correr ou se esconder.
O mundo existe hoje é por causa dos pessimistas. Por todos aqueles sem ambições, pelos conformados, os desanimados. Aqueles que ainda ficam surpresos quando o sol nasce no domingo. Para os pessimistas, todo dia é um dia de chuva em dezembro.
Todo pessimista guarda dentro de si, um ponto de luz, um broto de orquídea verde-esperança, mas que nunca floresce. Que existe só para provar que ali existe uma vida, uma alma em desinquietação, embora quase murcha, quase apagando-se. Os otimistas chamariam de fé, já para os realistas, verdade.
Mas, para os nobres e corajosos pessimistas, essa vida dentro deles é apenas... desconforto.
(*)
Felizes são os que ainda sabem dançar. Dos que apesar de todos os tombos, ainda ousam arriscar. Os felizes não tem medo.
Felizes são os tolos, em suas vidas ingênuas, das quais não se atrevem a sair para ver o sol se pôr vermelho, feito sangue escorrendo.
Felizes são os que mesmo desafinados, cantam, porque não desistiram de viver e não se contentam com o luto que a vida os exige.
Felizes são os que correm, sem sentido ou razão, apenas por correr. Procuram um lugar para ir, perto ou longe de toda essa sociabilidade que não os consegue prender porque eles não se bastam no silêncio ou no marasmo. Porque eles exigem e querem o movimento.
Felizes são aqueles que fazem brilham os olhos, mesmo quando em dor. Porque o amor habita ali.
Felizes os que escrevem, mesmo que em pessimismo. Porque sabem que mesmo tristes, mesmo com o mundo aos seus pés, eles sabem se reinventar e voltar a alegria de sobreviver.
23/11/2014
Deixei as canecas sobre a pia e a cortina da janela continua fechada. É como se qualquer fresta que adentrasse esse cômodo fosse um convite a pensar em você. Uma oportunidade para pegar o telefone e discar seu número, rolar de rir dessa loucura e desligar quando você der o primeiro "alô?". Sou imatura a esse ponto sim, meu bem. Você sempre soube que meus parafusos nunca foram muito bem apertados, que sempre fui a ovelha negra de todo e qualquer ambiente onde adentrava. E você, todo recatado, resolveu se arriscar nesse misto de insanidade e rebeldia que sempre foi a minha vida. Não te adverti que seria um erro. Achei que seria seu. Mas como sempre o amor na minha vida é um jogo de azar, eu acabei fazendo 20 invés de 21. Perdi a aposta. Perdi você.
Agora, por favor, esqueça a cortina e o sol. Não me importo com a bagunça. Estranho foi me acostumar com a sua claridade e ter de voltar para as sombras.
Agora, por favor, esqueça a cortina e o sol. Não me importo com a bagunça. Estranho foi me acostumar com a sua claridade e ter de voltar para as sombras.
10/11/2014
Talvez com o tempo eu aprenda a ficar um pouco menos descabelada ou um pouco menos maluca. Na verdade eu não me importo muito com o ser nesse sentido das coisas. Eu quero estar. Se eu estou bem com meu cabelo indomável e cheio de frizz, o que me importa se o salão está com desconto na escova pregressiva? Se eu não vejo problema em estar 10kg acima do peso e mesmo assim estar saudável, por que raios vou querer gastar mais de cem reais na mensalidade de uma boa academia só pra passar a imagem de fitness? Se eu estou avariada? Talvez, mas pelo menos estou e não sou.
03/11/2014
Runaway
Ela sumiu e não dá resposta. O telefone não chama, ao interfone não responde e quanto a chave que eu tinha, o cadeado foi trocado. Ela fugiu pra longe da alma que eu jurava que ela tinha. Eu não a vi. Eu não a toquei. Eu não sei de mais nada.
Eu nunca soube.
(*)
Entra feito um míssil. Bate as portas, com lágrimas nos olhos e fones nos ouvidos, não escuta ninguém. Quer a escuridão para combinar com a solidão da alma. Se já sorriu, não lembra. Hoje sua música é a canção fúnebre que os sinos da igreja tocam. Algo morreu dentro daquele peito. Só não se sabe o que é.
Eu nunca soube.
(*)
Entra feito um míssil. Bate as portas, com lágrimas nos olhos e fones nos ouvidos, não escuta ninguém. Quer a escuridão para combinar com a solidão da alma. Se já sorriu, não lembra. Hoje sua música é a canção fúnebre que os sinos da igreja tocam. Algo morreu dentro daquele peito. Só não se sabe o que é.
31/10/2014
No quarto andar as pessoas são plásticas tentando ensinar como se transformar em aço. Ironia que ninguém faz a mínima questão de corrigir. Todas estão muito ocupados em suas graficidades para preocuparem-se se o mundo lá fora está acabando em fogo ou gelo. Ou no final das contas o mundo deles não acabe, apenas recrie-se através de números que eu não almejo pra mim.
No quarto andar eles te roubam a vida e não se importam se a máquina um dia dominar o planeta. Ali não existe sentimento, apenas uma vontade de pisar sobre cada um e imperar sua vontade magna. Engana-se quem acha que o amor não existe é em SP, é ali, no corredor em silêncio que mora toda a indiferença. salvo alguns poucos que ainda sobressaem-se sobre toda essa reinação. Minha esperança está sobre esses, que não se dobram, não se moldam. E que ainda gritam que o amor é mais importante que os números, que ainda insistem nas lágrimas. Aqueles que ainda tem seus corações despedaçados pelas coisas bobas da vida. E que são feliz com essas mesmas bobagens.
No quarto andar as coisas estão longe de serem perfeitas. Mas se as máquinas souberem dialogar com os espantalhos que ainda pregam que todos precisam de um coração, talvez possa voltar a existir oxigênio.
No quarto andar eles te roubam a vida e não se importam se a máquina um dia dominar o planeta. Ali não existe sentimento, apenas uma vontade de pisar sobre cada um e imperar sua vontade magna. Engana-se quem acha que o amor não existe é em SP, é ali, no corredor em silêncio que mora toda a indiferença. salvo alguns poucos que ainda sobressaem-se sobre toda essa reinação. Minha esperança está sobre esses, que não se dobram, não se moldam. E que ainda gritam que o amor é mais importante que os números, que ainda insistem nas lágrimas. Aqueles que ainda tem seus corações despedaçados pelas coisas bobas da vida. E que são feliz com essas mesmas bobagens.
No quarto andar as coisas estão longe de serem perfeitas. Mas se as máquinas souberem dialogar com os espantalhos que ainda pregam que todos precisam de um coração, talvez possa voltar a existir oxigênio.
04/09/2014
Rumo aos Ipês
Não, não precisa ter medo, eu te ensino como se anda aqui. Aqui não existem cacos de vidros, não precisa ter cuidado. você não irá se machucar. Se você deixar, eu te mostro como caminhar. Basta seguir os ipês amarelos, eles nos facilitarão a ida. Dorothy andava pelos tijolos dourados, buscando ir pra casa. Nós vamos em busca dos ipês, para encontrar um novo lar. Basta você entrelaçar seus dedos aos meus. Sem receio, sem preocupações com o que irá acontecer. O caminho é seguro, eu garanto, já vim por aqui antes. Por favor, confie e acredite em mim, eu não vou te levar para a boca de leão. Vai ser bonito, terá um jardim e borboletas. Será tranquilo, eu prometo.
Só me dê a sua mão, que eu te mostro o caminho. E se você quiser, podemos dançar no meio do caminho e até rolar de rir porque choveu e nos embarramos todos enquanto corríamos até o pote de ouro no final de arco-íris.
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