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30/06/2012

Interpendências



Liga o foda-se e vai ser feliz. Nenhuma opinião pode ser mais importante que a sua. Nada vale mais do que os seus princípios e conceito. Sua concepção de vida é o que te guia para qualquer lugar e não te deixa esmorecer. Você é quem você tem quando o mundo desaba. Você é que se cuida quando todos te viram as costas. Então respira fundo e vai correr por entre flores, garota!
Ninguém pode te dizer o que é certo ou errado. Ainda mais quando a petulância e arrogância dominam. Garota, o que você é, é divino. É único. Não se desperdice, não se desgaste. Estúpidos existem em todo canto que você colocar os pés. Cabe você mesma decidir, se deixará eles te abalarem. Ou não.



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Meus méritos, meus prêmios podem me ascender social e financeiramente. Um alvo bem tentador, quiça um sonho almejado por muitos. Mas observemos por um outro lado. Se o foco for apenas esse, esforço apenas para conseguir méritos que me resultarão em prêmios físicos, materiais e me deixar sem tempo pra aproveitar tudo que a vida me proporciona? Desculpa, prefiro ser medíocre o resto da vida. Se é que ser medíocre é rir com vontade de uma coisa realmente engraçada, chorar ao ver o quanto a vida é injusta as vezes. Admirar belezas que se me esforçar para conquistar títulos (pss..), serei impedida de ver. Minha família é um prêmio. Meus amigos são prêmios. Minhas paixões são prêmios. Prêmios pelos quais eu não precisei enlouquecer pra conquistar. E eu não preciso de nenhuma empáfia ou erguer meu peito como um galo de rinha para me orgulhar disso.
Wannabe sonhadora? Talvez. Mas prefiro acreditar que, no fim, todos terminaremos da mesma forma. Um pó. Titulados ou não.



20/06/2012

Definições



Quem me olha, sabe que é exatamente isso.
Sou dona das caras e caretas mais absurdas do mundo.
Sou essa loucura fantasiada de diversão.
Sou esse misto de não querer ter crescido com uma vida estressante de ser adulta.
Sou o sim e o não transfigurados em talvez.
Sou o erro exato de não ter vontade de acertar.
Sou e me basta apenas ser o quê.
Sou doida. Sou sério. Sou anjo. Sou demônio. Sou mulher.
Sou tua.


17/06/2012

Almas Perfumadas


Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende a ver.

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está dançando conosco de rostinho colado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.

[Ana Jácomo]

PS. O texto completo se encontra aqui.

Larissa



Menina do vestido florido
Porque choras um choro copioso
Vivendo um sonho colorido
Fugindo de um mundo furioso

Explica qual a sua dor
Onde caiu na fossa
Onde desistiu da cor
Onde parou sua bossa

Vê se procura um bom motivo
Para um novo amor
Que seja perfeito em flor

Busca um carinho quietinho
Onde deixe quentinho
O seu coração sozinho

03/06/2012

Encantos



Ela parece uma menininha boba, enquanto solta sorrisos avulsos pro vento.
Quem sabe não apenas pareça, que saiba ela não é uma menininha. Mas não boba e sim uma espertinha que descobriu que a sua esperteza não lhe adianta de nada, só a atrasa.
Ela está assim agora porque regou o jardim, chegou o verão e os pássaros migraram de volta.
Quem sabe por ter feito dessa vez, sem esperar realmente que eles chegassem. Sem intenção de fazer eles se achegarem. Fez apenas com o intuito de cuidar apenas. De ver a vida florescer e crescer a sua volta.
Ela hoje, assovia canções que antes não conhecia e nem fazia questão. Músicas que falam de um amor puro. Um amor por si.
Quem sabe foi isso que o fez vir até ela. Com seus erros maiúsculos e um pequeno grande coração. Quem sabe tenham se encontrado por obra do destino. E se esse encontro já estivesse escrito com caligrafia bonita nas linhas tortas dos dois, quem impediria?
Ela não sabe o que esperar hoje. E na verdade, nem faz questão de saber. Até prefere não conhecer, porque ela sabe que esperas quase sempre geram ilusões Dessa vez quer seguir cada linha do poema na entoação correta. Quer fazer com que seja bom porque é especial e especial porque é bom. Quer poder entufar o peito e se orgulhar de um dia poder fazer alguém feliz. Além de si.


A Menina Que Roubava Livros (II)


No começo, Liesel não conseguiu dizer nada, Talvez fosse a súbita turbulência do amor que sentiu por ele. Ou será que sempre tinha o amado? Era provável. Impedida como estava de falar, desejou que ele a beijasse. Quis que ele arrastasse sua mão e puxasse para si. Não importava onde a beijasse. Na boca no pescoço, na face. [...]


29/05/2012

Certas Promessas..



Um dia, sentada numa mesa de bar, eu jurei para todas as amigas que estavam comigo que eu deixaria de ser boba e passaria a usar, assim como usaram-me sem dó. Que faria jus a máxima de que se a gente pisa, a pessoa gruda. Mudaria radicalmente o comportamento e seria mais uma entregue a biscatagem.
Mas um dia de acaso, encontrei seus olhos exatos e abraço quentinho. Típico de onde você vem. Com um sorriso tão bonito e palavras tão afáveis. Encanto imediato. Foi nesse instante que percebi que juras de bêbada são como promessas de ano novo: impossíveis de cumprir.

26/05/2012

ATE 2011/2014: Porque a História Não Termina No Tchau

Há cerca de seis meses, escrevi uma carta aberta de despedida àqueles que me acolheram, suportaram, aguentaram durante aquele ano tão maravilhoso que pudemos dividir todas as noites. Escrevi que os amava muito e estaria sempre ali, embora estivesse deveras longe.

Pois bem, estou aqui hoje, para dizer que sou uma desistente de sonhos e explicar o porquê. Antes que alguém aponte o dedo e me chame de covarde, deixo-os de sobreaviso que não é necessário, mas sinta-se a vontade se o quiser fazer. Não vou repudiar ou dizer o contrário, até porque ir contra o óbvio é ilusão. Ladrei demais e perdi a oportunidade de morder a segunda chance que eu ganhara naquele momento. No entanto, entendi que não seria o meu lugar. Por que haveria de me empenhar em fazer algo que eu já sei tão bem? Predestinação? Talvez, se eu acreditasse. E cresci o suficiente para poder erguer a fronte e enfrentar a estrada mesmo com pedras me fazendo cair durante o percurso.

Fiquei. Outros se foram. Ousaram querer e foram atrás, e agora, são mais felizes distantes. Ou não. Alguns permaneceram, o que é regra natural. E me alegra saber que também seguiram a amadurecer. Seguiram inocentes. Seguiram bravos. Seguiram companheiros. E até os que seguiram arrogantes me alegram. Fico feliz em ver tudo no mesmo lugar, a estante de bagunça organizada. Tudo no seu devido cantinho. Heterogêneos como sempre, divisíveis como nunca. Não digo que todos se tornaram maleáveis, mas a maioria passou a ouvir ao invés de somente escutar. Alguns continuam fúteis e intragáveis, mas é até engraçado vê-los assim, tão cheios de si e vazios de razão.

 Os meus continuam sendo "os meus". Desligados, realistas, engraçados, centrados, preocupados, irritados, próximos. Seguem as mesmas pinturas em quadros mais bonitos. Não há como explicar tal relação. Não há como entender. São, se tornaram partes intrínsecas de meu corpo. Sua distração e animação me contagiam, envolvem e divertem. E o melhor: sem esperar nada, absolutamente nada em troca. Um alívio. Porque entendo que minhas piadas, sorrisos e palavras não são o suficiente para poder retribuir tanto bem que me fazem. Principalmente quando incitam-me a continuar, impondo como um desafio. Nada paga o que eles me fazem sentir quando perto, longe, bem ou mal. Num todo miscigenado em tons coloridos de diversidade. Embora as normais, esperadas e comuns desavenças, todos se unem quando o interesse é mútuo e beneficia. Não importa a forma, o importante é que juntos somos melhores. Já disse isso uma vez e repito até a exaustão se preciso. Somos ótimos quando um.

Há também os que entraram agora. Que entre seus erres puxados e esses chiados ainda não se acostumaram com a briga pelotense e a loucura econômica. Tão distintos em sua mistura que encanta ao pronunciar de cada palavra. Os gaúchos que me perdoem, mas (depois do nosso sotaque tão carregado) nada é mais bonito que um sotaque interiorano ou capital de fora. Lindos em sua sutileza e determinação, coragem e amadurecência. Sair da zona de conforto, parar num lugar completamente desconhecido e mesmo assim, tirar de letra, não é para qualquer um. São guerreiros os que conseguem com êxito e maestria. 

Neles, enxergo-nos 2014, quando entramos. Tão diferentes e únicos. Classificáveis num simples olhar. O aloprado, o nerd, o centrado, o revolucionário, a guriazinha, a brava, a mãe, o forçado, o festeiro. Mas num todo, sonhadores assim como nós fomos. Somos. Conviver com eles tem sido-me uma benção diária. Sempre uma nova piada, um novo riso, um outro cigarro, uma outra conversa. São também parte de mim.
Se pudesse classificá-los como partes do meu corpo, diria-os meu cabelo. Uma comparação um tanto infame, se não disse que vocês 2014, são meus órgãos vitais. Posso passar os próximos quatro anos em companhia desses outros que (sobre)vivo bem, mas só sabendo vocês na sala ao lado. Porque sem vocês não dá. Utilidade maximizada é na Vênus com vocês. Bem-estar é Fofão debatendo História da Economia. A nossa história que bem ou mal, incorpora um erre puxado de vez em quando. Porque eu falo. Porque faz bem variar. Mas no fim, lá no finalzinho mesmo, a essência de toda a felicidade é a cerveja no posto rindo da Contabilidade Social.