Quando eu virei as costas naquela madrugada, era para nunca mais voltar atrás. Esquecer a vida e o endereço. Deu certo por um tempo, até eu perceber que tinha sido estúpido. Foi uma burrice mal elaborada em meios a tantos outros atos frios e calculados para darem errado. Sim, eu fiz dar errado. E eu assumo que fiz de tudo. Se me arrependo? Bom, talvez. Mas sempre fui acostumada a matar ou morrer. Preferi te matar antes de não restar nada mais de mim.
Acontece que não tem motivos para distâncias. Fui embora mas me mantenho presente, mesmo que na raiva de ter deixado um espaço vazio no teu roupeiro por um blusão que ainda está no meu. Intocado. Nunca usei, não tinha motivos. Não havia razão e não haverá. Não lembro se deixei algo, mas se sim, pode ficar. Joga fora, doa, vende, faz escambo. Ou guarda. A escolha é sua, sua propriedade, seu livre-arbítrio.
Por vezes eu sinto vontade de te ligar, ver como você está. Mas eu penso que seria uma ofensa, um pecado. Não me importa se você não quiser atender. Nessa altura do campeonato, deve até ter apagado meu número da agenda do celular. Menos mal se for assim. Você se propôs a algo que ainda não tive coragem. Ontem mesmo quase te enviei um mimo via whatsapp. A bateria acabou bem na hora de enviar. Sinal divino? Meu juízo exercendo telecinesia sobre aparelhos eletrônicos? Essa vida é um mistério.
O que eu não entendo, de verdade, é porque deixamos de nos falar. Tínhamos assunto. Podia morrer de vez em quando, mas como conversávamos. Como riamos das bobagens que saiam de nossas férteis imaginações juvenis. Somos tão jovens. Tão bobos... tão sonolentos. Na verdade, eu não sou sonolenta. Sou é monga mesmo. Admito e aceito esse fato há 22 anos. Mas acredita em mim: são as pessoas mais legais os mongas.
Mas voltando ao nós-paramos-de-nos-falar. Não preciso me alongar o quanto eu gostava de teus assuntos. Não entendia nenhum, mas falava como se fosse P.h.D. Sorry, manias. Não por querer ser mais do que eu sou, céus, jamais faria isso. Mas por querer agradar. Faço isso desde que o mundo é mundo e me conheço por gente. O que não faz tanto tempo assim, apesar de ter uma coluna bem debilitado e um fígado gasto. Bom, do fígado tu sabe. Todos sabem. Preciso parar, sério. Mas não precisa ser agora.
Depois de tanto enredar - sim, sou prolixa eu sei -, chego ao ponto que eu queria. Esclarecer de uma vez por todas os motivos e as razões por ter virado sem olhar pra trás. Sem muito explicar, claro. Não se mexe no sagrado das pessoas, cada um sabe o limite que pode ir, essas coisas. Tô disposta a me (in)dispor a isso. Um café, um open bar, um jogo na baixada ou na Boca do Lobo, tanto faz. Não importa o lugar ou a situação, o que eu quero é colocar isso em pratos limpos e poder ficar bem com isso. Porque essa foi a coisa que mais me deixou magoada comigo, ter ido embora emburrada e de uma maneira "super adulta" como eu fui.
Mas isso é apenas um desejo. Um simples desejo (hoje eu só quero que o dia termine bem ôôôô). Se quiser, despreza tudo isso. Escrevi isso em uma madrugada na qual eu bebi um pouco, então se quiser, apaga sem deixar vestígios e esquece. Pensa que foi um e-mail publicitário. Não responde se não quiser. Ler já foi o bastante. De verdade.
Caso o contato se perca pela eternidade, fica uma palavras das mais honestas possíveis. Máximo. Te considero assim. Fosse uma das pessoas mais encantadoras que eu conheci. Fosse uma das pessoas que mais me deu tapas sem perceber. E isso eu vou levar sempre.
Gosto muito de você. Independente do tempo, espaço ou maneira.
Gosto de você.
10/10/2013
07/09/2013
Não faça isso. Não vá para esse trabalho que você odeia.
Faça algo que você goste hoje. Ande de montanha-russa. Nade pelado no mar. Vá
para o aeroporto e pegue o próximo voo para qualquer lugar apenas por diversão.
Gire um globo terrestre, pare-o com o dedo e, em seguida, planeje uma viagem
para aquele lugar. Mesmo que seja no meio do oceano, você poderá ir de barco.
Coma alguma comida exótica da qual nunca ouviu falar. Pare um estranho e peça
para ele lhe explicar em detalhes seus maiores medo, suas esperanças e
aspirações secretas, e em seguida diga-lhe que você se importa. Porque ele é um
ser humano. Sente-se na calçada e faça desenhos de giz colorido. Feche os olhos
e tente ver o mundo com o seu nariz – permita que o olfato seja a sua visão.
Ponha o sono em dia. Ligue para um velho amigo que você não vê há anos.
Arregace as pernas da calça e entre no mar. Assista a um filme estrangeiro.
Alimente esquilos. Faça alguma coisa! Qualquer coisa! Porque você inicia uma
revolução, uma decisão de cada vez, toda vez que respira. Só que não volte para
aquele lugar miserável para onde vai todos os dias. Mostre-me que é possível
ser adulto e também ser feliz. Por favor. Este é um país livre. Você pode fazer
o que desejar. Ser quem quiser.
– Perdão, Leonard Peacock, Matthew Quick
30/07/2013
Extraviados.
Eu não vim te procurar ou descobrir quem você. Sei disso tão bem quanto a idade que me sobra na carteira de identidade. Sei quem és e você, provavelmente, também sabe quem sou. Cada pedaço seu sabe quem sou. Como sou. Minhas crises nervosas de existência ou insegurança. Sabe que sou dada a lágrimas e palavras meio tortas e perdidas, e que quase sempre nada expressam. Assim como sei de referências e preferências suas. De como não dorme antes das quatro da manhã e que não gosta de café reaquecido. E como odeia uma vida requentada. Medianamente, você não faz parte da média que aceita o que oferecem. Ou tudo ou nada. Ódio ou amor, faça a sua escolha ao toque do sinal.
Não vim para dizer o quanto sua ausência me dói e como o gelo no inverno empalidece a minha alma. Ou o quanto suas ofensas não me ferem, ao contrário do seu silêncio. Tampouco vim implorar por migalhas que farão o meu almoço de amanhã. As avessas, meu prato feito fundo não as permite porque assim você o fez, montou-o de modo a me ensinar que migalhas deixam estômagos vazios. Aprendi também que álcool em cabeça vazia desatina e faz perder o (p)rumo. E que as palavras que voam vazias, as paredes não absorvem. Seu peito foi parede. Minha retórica, o vento.
Evito me deixar cair na falácia de não dizer nada e dizer tudo pelas entrelinhas, me desculpando por cada ato que não foi culpa minha. Fraqueza que aos meus olhos tão pouco me irritava, era o que incomodava até o santo cristo que não suportava pieguismos. Mas falava sobre dor, a minha dor ausente que veio roer minhas lembranças. Do seu sorriso dormindo, do sarcasmo fugaz que eu, irônica, não entendia. Da sala que eu deixei arrumada antes de sair e da ração da gata que eu esqueci de deixar antes de sair. Esqueci. Seus blusões no meu roupeiro e minha vida na sua cômoda, ao lado do álbum de figurinhas. Espero ainda estar lá.
Espero tanta coisa que eu não sei mais pelo quê desesperar. Minha calmaria me aflige, me inquieta. Preciso sentir dor, mas não consigo. Talvez por ter chorado tanto antes, agora minha água virou pó. Agonia sentia em silêncio como sempre tudo nesses dois pobres meses. Clichê do foi-pouco-tempo-mas-valeu não enquadra a nossa foto que eu nunca vi. Nossa imagem no espelho nunca refletiu pra mim.
Não vim te dizer para voltar. Nossa missa ainda é a mesma e frequentamos os balcões nos mesmos dias. Nossa torpe vida vai continuar a ser torpe, maculada e separada. Nossos olhos ainda se cruzarão entre as mesas e cadeiras de um lugar qualquer. Nossos sorrisos talvez se atravessem em alguma piada e se fechem por isso. Mas que não permaneçam assim. Somos muito mais que um desconforto.
Somos, até segunda ordem, o que quisermos ser. E o que eu quero, é não perder o contato contigo. Só.
Não vim para dizer o quanto sua ausência me dói e como o gelo no inverno empalidece a minha alma. Ou o quanto suas ofensas não me ferem, ao contrário do seu silêncio. Tampouco vim implorar por migalhas que farão o meu almoço de amanhã. As avessas, meu prato feito fundo não as permite porque assim você o fez, montou-o de modo a me ensinar que migalhas deixam estômagos vazios. Aprendi também que álcool em cabeça vazia desatina e faz perder o (p)rumo. E que as palavras que voam vazias, as paredes não absorvem. Seu peito foi parede. Minha retórica, o vento.
Evito me deixar cair na falácia de não dizer nada e dizer tudo pelas entrelinhas, me desculpando por cada ato que não foi culpa minha. Fraqueza que aos meus olhos tão pouco me irritava, era o que incomodava até o santo cristo que não suportava pieguismos. Mas falava sobre dor, a minha dor ausente que veio roer minhas lembranças. Do seu sorriso dormindo, do sarcasmo fugaz que eu, irônica, não entendia. Da sala que eu deixei arrumada antes de sair e da ração da gata que eu esqueci de deixar antes de sair. Esqueci. Seus blusões no meu roupeiro e minha vida na sua cômoda, ao lado do álbum de figurinhas. Espero ainda estar lá.
Espero tanta coisa que eu não sei mais pelo quê desesperar. Minha calmaria me aflige, me inquieta. Preciso sentir dor, mas não consigo. Talvez por ter chorado tanto antes, agora minha água virou pó. Agonia sentia em silêncio como sempre tudo nesses dois pobres meses. Clichê do foi-pouco-tempo-mas-valeu não enquadra a nossa foto que eu nunca vi. Nossa imagem no espelho nunca refletiu pra mim.
Não vim te dizer para voltar. Nossa missa ainda é a mesma e frequentamos os balcões nos mesmos dias. Nossa torpe vida vai continuar a ser torpe, maculada e separada. Nossos olhos ainda se cruzarão entre as mesas e cadeiras de um lugar qualquer. Nossos sorrisos talvez se atravessem em alguma piada e se fechem por isso. Mas que não permaneçam assim. Somos muito mais que um desconforto.
Somos, até segunda ordem, o que quisermos ser. E o que eu quero, é não perder o contato contigo. Só.
28/07/2013
Presesperança
Por um momento, um breve momento, senti vontade de puxar uma cadeira e sentar. Compartilhar da cerveja que estava na mesa e não fui eu que paguei. Dividir risadas e conversas que precisavam escapar entre nós todos. Explicar o porquê eu andei afastada e como eu estava ansiosa para voltar correndo pr'aquele mundo tão recente e tão impossível de querer ir embora. Fazer renascer o brilho dos meus olhos que tem se ofuscado a cada dia pela lembrança de não estar mais lá.
Por um instante, um mísero instante, eu senti a coragem necessária para outra vez pisar em cima do meu orgulho tão ferido e fazer de novo o que eu sempre fiz. Uma mão me impediu. Me agarrou pelo braço e me disse não. Uma voz dentro de mim quis gritar, minhas pernas quiseram correr para tão longe quanto pudessem. Foi quando eu lembrei que fugir não resolve nada e pior, só agrava. Eu quis dizer que não houve propósito, mas agora não tem mais importância. Me interrogo se algum dia teve.
Por um minuto, um fugaz minuto, eu quis esquecer da minha história e deixar que a amnésia reinasse. Mas existe um sulco na carne que me impede. Por um desejo, que Deus me perdoe, eu quis voltar ao passado e costurar todas as feridas. Suturar todos os caminhos para que não se bifurcassem além do esperado. Eu quis, eu quero.
Mas pela distração e desastreza, essas são coisas que hoje a vida me nega. São coisas que preciso me negar porque eu necessito que a distância seja cumprida e que o ciclo se feche. Mas existe palavras que precisam ser ditas. Minha última lágrima de dor, a que eu tenho prendido por tanto tempo, necessita cair.
Eu quis puxar uma cadeira e sentar. Mas ao contrário disso, eu virei as costas e segui andando. É assim que precisa ser. Eu acho.
Por um instante, um mísero instante, eu senti a coragem necessária para outra vez pisar em cima do meu orgulho tão ferido e fazer de novo o que eu sempre fiz. Uma mão me impediu. Me agarrou pelo braço e me disse não. Uma voz dentro de mim quis gritar, minhas pernas quiseram correr para tão longe quanto pudessem. Foi quando eu lembrei que fugir não resolve nada e pior, só agrava. Eu quis dizer que não houve propósito, mas agora não tem mais importância. Me interrogo se algum dia teve.
Por um minuto, um fugaz minuto, eu quis esquecer da minha história e deixar que a amnésia reinasse. Mas existe um sulco na carne que me impede. Por um desejo, que Deus me perdoe, eu quis voltar ao passado e costurar todas as feridas. Suturar todos os caminhos para que não se bifurcassem além do esperado. Eu quis, eu quero.
Mas pela distração e desastreza, essas são coisas que hoje a vida me nega. São coisas que preciso me negar porque eu necessito que a distância seja cumprida e que o ciclo se feche. Mas existe palavras que precisam ser ditas. Minha última lágrima de dor, a que eu tenho prendido por tanto tempo, necessita cair.
Eu quis puxar uma cadeira e sentar. Mas ao contrário disso, eu virei as costas e segui andando. É assim que precisa ser. Eu acho.
16/07/2013
Transeunte.
Quando todos estavam acordando, eu ainda não tinha ido dormir.
Não me permitia dormir sem entender o mínimo do que tinha acontecido naquele quarto, naquelas últimas horas. Do abraço ao tapa, tudo correndo pelos meus olhos de uma maneira completamente desconexa e sem sentido. O que foi que eu fiz? Como eu tinha acabado naquela sarjeta, com a maquiagem borrada e o coração aos saltos dentro do peito? O que aconteceu nessa última noite? Precisava de uma explicação que só eu poderia me dar. Mas eu não conseguia. Raios, por que eu não conseguia responder essa pergunta simples? No telefone uma chamada não atendida e na alma, o vazio de se sentir perdida.
Sentia frio, mas era fevereiro. Era domingo. Era carnaval. O bloco não demoraria a passar. E eu continuava estática, na areia da praia, olhando pro nada. Na cabeça uma interrogação, na carne um arranhão e no peito, um vazio. Era tarde e eu não queria mais pensar naquilo. Quando é festa, o que nos exigem é diversão. Eu só queria entender o motivo da existência humana e debater Foucault numa mesa de bar com todos os cultos do universo. Mas que droga, eu não sou culta, por que de querer isso? Era um vírus, uma loucura. Como todas as outras, como tudo que já tinha acontecido.
Garrafas jogadas pelos cantos e o cheiro de vinho impregnado na minha roupa. Talvez de volta aos tempos Medievais, talvez uma rainha. Talvez uma nobre imponente ou somente a filha de um ferreiro qualquer, que apenas serve para dar luz a bastardos. Despertei. Meus sonhos cada vez mais confusos, minha mente cada vez mais distorcida. O que é verdade em tudo isso? Na mão uma faca, no chão sangue e no espelho... nada. Eu não me via refletir. Eu não existia mais. Minhas dúvidas me consumiram e me tomaram, até me transformar em pó. Por que ainda dói meu peito, se não existe mais nada aqui dentro?
De volta à realidade, um posto de gasolina e uma saudade. Por que precisa ser assim? Talvez o tempo cure, talvez os ventos mudem. Talvez uma vida toda. Talvez seja um quase nada escondido nas entrelinhas da esperança que apodreceu e que não tem a mínima vontade de renascer. O que está morto, não pode morrer. Se morrer uma vez, permaneça morto. Ninguém disse adeus. Não existe adeus pra uma coisa que não existiu. Ninguém se despede de um amigo imaginário. O imaginário apenas te impulsiona, porque no demais, ele não existe.
Não me permitia dormir sem entender o mínimo do que tinha acontecido naquele quarto, naquelas últimas horas. Do abraço ao tapa, tudo correndo pelos meus olhos de uma maneira completamente desconexa e sem sentido. O que foi que eu fiz? Como eu tinha acabado naquela sarjeta, com a maquiagem borrada e o coração aos saltos dentro do peito? O que aconteceu nessa última noite? Precisava de uma explicação que só eu poderia me dar. Mas eu não conseguia. Raios, por que eu não conseguia responder essa pergunta simples? No telefone uma chamada não atendida e na alma, o vazio de se sentir perdida.
Sentia frio, mas era fevereiro. Era domingo. Era carnaval. O bloco não demoraria a passar. E eu continuava estática, na areia da praia, olhando pro nada. Na cabeça uma interrogação, na carne um arranhão e no peito, um vazio. Era tarde e eu não queria mais pensar naquilo. Quando é festa, o que nos exigem é diversão. Eu só queria entender o motivo da existência humana e debater Foucault numa mesa de bar com todos os cultos do universo. Mas que droga, eu não sou culta, por que de querer isso? Era um vírus, uma loucura. Como todas as outras, como tudo que já tinha acontecido.
Garrafas jogadas pelos cantos e o cheiro de vinho impregnado na minha roupa. Talvez de volta aos tempos Medievais, talvez uma rainha. Talvez uma nobre imponente ou somente a filha de um ferreiro qualquer, que apenas serve para dar luz a bastardos. Despertei. Meus sonhos cada vez mais confusos, minha mente cada vez mais distorcida. O que é verdade em tudo isso? Na mão uma faca, no chão sangue e no espelho... nada. Eu não me via refletir. Eu não existia mais. Minhas dúvidas me consumiram e me tomaram, até me transformar em pó. Por que ainda dói meu peito, se não existe mais nada aqui dentro?
De volta à realidade, um posto de gasolina e uma saudade. Por que precisa ser assim? Talvez o tempo cure, talvez os ventos mudem. Talvez uma vida toda. Talvez seja um quase nada escondido nas entrelinhas da esperança que apodreceu e que não tem a mínima vontade de renascer. O que está morto, não pode morrer. Se morrer uma vez, permaneça morto. Ninguém disse adeus. Não existe adeus pra uma coisa que não existiu. Ninguém se despede de um amigo imaginário. O imaginário apenas te impulsiona, porque no demais, ele não existe.
12/07/2013
Sobre a Inutilidade Da Segunda Chance
É simples.
Querer consertar, lixar e pintar as partes feias não vai mudar em nada o que aconteceu antes. Nada que cai volta intacto às mãos quando retirado do chão. Fica sempre um arranhão que mesmo escondido, se sente a ranhura.
É como aquecer comida. Ela pode ser gostosa o suficiente e não perder o sabor, mas o queijo da lasanha não derrete da mesma maneira se reaquecido. Café em segunda fervura perde o gosto. Ou assume a hipótese de jogar fora se sobrar ou vai com toda a fome do mundo e devora o que te é oferecido.
E embora se tente infinitamente lutar contra a ideia que a tudo pode se dar uma segunda chance, sempre haverá algo que impede de ser como antes. Quando existe o medo, até as palavras mudam seu tom. Muda a essência da singularidade que era. O que era único e sutil, agora se pede em frases e se conta o tempo pra não (se) machucar.
Assim como a pizza, relacionamentos não foram feitos para o micro-ondas.
Querer consertar, lixar e pintar as partes feias não vai mudar em nada o que aconteceu antes. Nada que cai volta intacto às mãos quando retirado do chão. Fica sempre um arranhão que mesmo escondido, se sente a ranhura.
É como aquecer comida. Ela pode ser gostosa o suficiente e não perder o sabor, mas o queijo da lasanha não derrete da mesma maneira se reaquecido. Café em segunda fervura perde o gosto. Ou assume a hipótese de jogar fora se sobrar ou vai com toda a fome do mundo e devora o que te é oferecido.
E embora se tente infinitamente lutar contra a ideia que a tudo pode se dar uma segunda chance, sempre haverá algo que impede de ser como antes. Quando existe o medo, até as palavras mudam seu tom. Muda a essência da singularidade que era. O que era único e sutil, agora se pede em frases e se conta o tempo pra não (se) machucar.
Assim como a pizza, relacionamentos não foram feitos para o micro-ondas.
21/06/2013
Nanquim
Tenho aprendido a lidar melhor com os meus tombos. Minhas quedas tenho tido como passos de dança que eu preciso aperfeiçoar. Ainda sinto o peito apertar quando eu me sinto insegura e isso tem sido menos frequente. Menos que antes ao menos. Tem cicatrizes que ainda doem quando anunciam uma chuva, mas não sangram mais. Meu sorriso que antes era intenso, hoje é imenso. Seja qual for o motivo. Eu não vou me permitir perder o brilho dos olhos e deixar de cantar aquela canção que minha criança interior adora.
Eu não mais fugir de mim.
Eu não mais fugir de mim.
15/06/2013
Configurações
E eu não queria nada além do que eu tenho agora.
Tenho tido bons motivos pra sorrir meu sorriso mais bonito e vestir minhas melhores botas de combate. Luto com a força de quem sabe que a queda é um mero passo de dança que a vida nos força a saber dançar. Escolhi fechar os olhos e deixar os passos saírem sozinhos.
Liguei o foda-se.
E quer saber? Tô bem assim.
Muito obrigada pelo preocupação, capitão.
Tenho tido bons motivos pra sorrir meu sorriso mais bonito e vestir minhas melhores botas de combate. Luto com a força de quem sabe que a queda é um mero passo de dança que a vida nos força a saber dançar. Escolhi fechar os olhos e deixar os passos saírem sozinhos.
Liguei o foda-se.
E quer saber? Tô bem assim.
Muito obrigada pelo preocupação, capitão.
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