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24/07/2014

Sem Título Que Rotule o Tamanho da Vida

Tem horas que a gente se desprende. Das ambições, das pessoas, das coisas. Não necessariamente nessa ordem. Percebe que o insubstituível, pode ser trocado por um artigo de baixo custo e o inseparável se solta com água quente. Aprende que os "ins" desaparecem com o tempo. Vê que o real significado do espectro das cores é cinza e não branco. Que a tristeza não é (e nem pode ser) banal. Esse é um manifesto para que todas as dores e amores sejam sentidos na sua raiz.

Por favor, sintam! Desesperem, chorem, gritem, mas por gentileza, façam alguma coisa significante com suas vidas. Aproveitem cada instante como se tudo que conhecemos, como mundo acabasse amanhã. E acima de tudo, amem incondicionalmente. Não acentuem o amor, o amar. Não freiem as emoções. O tempo é muito pouco pra selecionar os sentimentos.



J.

29/06/2014

Espaço





Quando ouvi aquelas três palavras, foi como se o mundo inteiro desabasse sua fúria sobre mim. E distante, me senti a criatura mais inútil do mundo. Era muito cedo para ouvi-las, era a piada mais estúpida que a vida me obrigou a conhecer. E como se não bastasse, a sensação de labirinto se apoderou de mim. Não ter para onde correr, a não ser para o olho do furacão. Não me deram escolhas, tive que agarrar as fagulhas de força que surgiam esporádicas. Quando o fim acontece, precisa-se ser concreto, feito de pedra inabalável. Mármore.

Uma cena e a vida foi embora. Uma cena e minha vida, antes tão plana, tornou-se um caminho a ser percorrido com precaução. Ninguém merece passar pela última certeza universal da vida. Admito a precisão de uma mudança, mas não o tapa. E doeu. E dói. E doerá sempre que lembrar. Causa e circunstância, a fuga não aceitou minhas desculpas. Quando a gente encara o que não quer, aprende o triplo.

Hoje acordar virou obrigação e cozinhar tornou-se tortura. Sentar-me sozinha a mesa, ver a poltrona vazia e não ter mais a certeza da pipoca estourando nos domingos de futebol. O vazio é pior que a dor. O silêncio condena mais que o martelo.

28/06/2014


Um mês e eu ainda escuto o ressoar de seus gritos pelas paredes da casa.
Um mês e eu ainda uso as mesmas meias velhas que roubei da sua gaveta.
Um mês e tenho sofrido por fazer todos os dias almoço apenas pra mim.
Um mês e todas aquelas coisas que antes pareciam ser insignificantes, se tornaram o motivo da minha angústia diária.
Um mês e a única coisa que sinto é a chuva dentro de mim.
Nunca esperei que ter saído naquela madrugada ia doer tanto. Eu queria ter mais tempo. Queria ter entendido mais, compreendido mais. Amado mais.
Desculpa.

03/05/2014

Pista de pouso, amém.





Nesses dias, apesar de toda turbulência pela qual nossa aeronave atravessou, acho que a pressão diminuiu e podemos, enfim seguir adiante.

E nesses dias também, andava perdendo palavras a esmo no limbo da existência enquanto as mesmas precisavam estar em uma folha, num papel, numa tela. Mas não eram as dificuldades que me impediam de expelir manualmente todo sentimento que costuma existir nesse pequeno pedaço de ser que sou. Eram as alegrias, a falta de oxigênio motivada por um milhão de risos novos e diferentes a cada dia que me amarravam a não querer espalhar todo coração. Dizem que quando a felicidade é muita, ela é boa quietinha, calminha e que gritá-la aos quatros traz mal agouro. Por isso de tanto receio. Insegura que sou, quis manter toda a proteção perto de mim, de ti, de nós.

Acho que depois de todo esse tempo, não é mais pecado querer dizer todo o bem que me faz a tua presença, a tua existência, as tuas charadas com pontinhos que não tem sentido e nem graça, mas mesmo assim são as coisas mais bem elaboradas das quais eu já ri. Não, acho que as tuas caretas vencem. Ou o pombo que tira da cartola quando, em ataque, eu recuo. Tu tem magias que a própria magia desconhece. E mesmo em silêncio, dizes tudo e nada. 

Sinto por não conseguir ser mais que sou e por querer sempre te preservar intacto, indolor. Sabe, pequeno,  todos os meus erros sempre foram tentando acertar, mas meu comportamento desastradamente destrambelhado leva tudo pro final mais engraçado e diferente do planejado. E tu compreende que válida é a tentativa, então não e repreende, não me julga. E isso, acho, que meu nível espiritual nunca vai conseguir alcançar. Essa paz de que existe o amanhã pra tentar de novo, existe um outro amanhecer pra acreditar. Por vezes, tenho a impressão que me agarro tanto em ti que machuca. É que esse pra mim é um mundo tão novo, tão limpinho, que eu preciso conhecer como é que se vive aqui. E é um lugar quentinho... talvez o inverno não nos encontre aqui. Certeza que não.

09/02/2014

A Novidade das Palavras Repetidas



É estranho como as coisas acontecem quando a gente não espera. Acho que essa é a maior lei, não (des)esperar. Ficar mansinho, deixar o vento levar o barco e saber que o que acontece, acontece por alguma razão. Seja hoje ou no mês que vez. Quando é pra ser, as coisas esperam em seu devido lugar. Adormecidas.

Nada é pra já. E se irritar com a lentidão das horas só traz rugas. Melhor é ir andando calmo pelas ruas que brilham em neon. Aprendi que não se deve subestimar a vida e nem superestimar o destino. Esses dois são as crianças mais travessas do conto de fadas de todo bom ser humano. Conto de fadas sim! Cada um tem o seu, seja emprego, amor ou moradia. Conto de fadas é aquilo em que acreditamos, naquela louca verdade só nossa.

O que pintar, eu assino. Não sei onde li, mas concordo. Parei de tentar correr contra a marcha e tô querendo encontrar meu recanto de paz. Verdade seja dita, minha paz e acalento existem desde sempre. Dentro de mim. Mas a cada novo dia, a cada amanhecer calorento de fevereiro, tenho sorrido mais bonito por saber que esse meu recanto também é recanto de outrem.

A pressa não é amiga e andar aos tropicões te leva ao chão. Nenhuma novidade, mas sempre existe alguém que precisa ouvir isso. Não é feio cair. Feio é não aceitar levar a vida com a alma tranquila. Com o coração em paz com a razão.

Quando se descobre isso, você muda. E ao redor de você, o mundo muda também.

20/12/2013

Pequeno Som



Esperava ansiosamente o momento da chegada. Tinha passado o dia inteiro sozinha e não aguentava mais tanta solidão. Ia do quarto para a cozinha e para a sala e depois para a varanda olhar a rua. Nunca chegava tão pertinho porque tenho medo de altura. Mas quando ouvia o bater da porta do seu carro, quanto contentamento! Corria em euforia. Fazia tanto barulho que o vizinho reclamava.

Quando a porta abria, meu Deus, eu pulava em seu pescoço. Que saudade! Seu cheiro era melhor em você no que no seu travesseiro, era mais vivo, mais forte. Muito muito mais gostoso. Mas nada comparado quando eu deitava na sua cama e você me coçava a barriga e me fazia tantos e muitos carinhos. Como eu gostava de dormir com você!

Mas um dia eu esperei e você não chegou. Não entendi. Deu sete, oito, nove e você não apareceu. Veio só uma senhora dizendo que eu não podia mais ficar na sua casa. Por quê isso? Eu andava tão quietinha ultimamente, por que eu tinha que sair da casa que agora era minha também. Ela me disse umas palavras estranhas como céu, chão e fim. Não entendi qual a ligação delas e o que elas tinha a ver comigo.

Quando dei por mim, estava outra vez na rua. Outra vez sozinha, passando frio. Agora eu tenho medo de novo. Você me deixava tão segura, enquanto deixava eu aquecer seus pés a noite. Sinto a falta do seu perfume. Por que você sumiu? Por que me abandonou?

Por que me fazer ser mais uma nesse mundo cão?

19/12/2013

Poematemática.

Sobre as coisas que eu não sei
Lembro de todas as coisas que antes esqueci
Erros, acertos e fugas
Uma hora talvez
Volte
Então enquanto espero
Vejo as pombas voarem
Vejo os bêbados passarem
Vejo as crianças correrem
Todos eles
Então corro, rápido
Longe demais, pras capitais
Deixando
Apenas
Pó.



26/11/2013

Relógios Intensos e Adiantos Não Fazem Sentido

Sei que é cedo.

Mas, e seu dissesse que todas as vezes que te vejo, sinto vontade de te dar os mais longos abraços que eu posso ser capaz? Se eu pudesse escolher ter alguém pra compartilhar todas as neuras que essa minha mente hiperativa consegue criar e dividir todos os risos mais sinceros, você aceitaria que eu te escolhesse? As vezes acho que erro na dose. As vezes acho que exagero no veneno. Veneno esse que uso pra me matar e me manter viva. Incoerente e inaceitável. Por mais que tente, eu não consigo fazer sentido. Não sou soldado. Mas, e se fosse verdade todas aquelas coisas que dizem?

Recuso a acreditar que o destino é traçado desde antes da nossa existência humana. Nosso caminho somos nós quem fazemos. Caminhamos com nossos pés até o destino final que se resume em ser feliz. Mas eu começo a desconfiar que as pessoas que cruzam esses caminhos que criamos, são nos dadas como presentes de reconhecimento. Se você é um prêmio de recompensa por eu ser uma boa menina e conseguir passar das fases-chefões da vida, eu desisto de jogar esse videogame e te trago à vida real. E te mostro os meus defeitos, te faço ver que não sou tão boa assim.

Ainda me perco em minhas próprias analogias e acho uma perda de tempo tentar explicar o incompreensível. Mas tento. Porque sei que as palavras te agarram pelo calcanhar e te derrubam e acarinham seu rosto. As histórias te fazem achar graça na vida. Me conheço pelos teus defeitos. Te entendo pelas minhas características. Coloco um espelho em minha frente e te vejo refletir. Entretanto, com um pacote maior de acertos, com sonhos (nem tão) intactos, alguns sorriso quebrados e silêncios constrangedoramente reveladores.

Te enxergo com os olhos puros de quem brinca e convida a ser feliz. Não sei se te agrada ou te repele, mas te convido mesmo assim. Porque a tua companhia me encanta e tua mão tem me guiado. Tem sido dias bonitos. Embora ainda seja cedo para dizer.